3.8.1 — Uma pergunta importante
Até aqui, você já aprendeu sobre:
- proposições;
- conectivos lógicos;
- tabelas da verdade;
- quantidade de linhas;
- validade de argumentos.
Talvez você esteja pensando:
“Mas para que serve tudo isso?”
Essa é uma pergunta importante.
A lógica não foi criada para que você simplesmente preencha tabelas com V e F.
A tabela da verdade é uma ferramenta.
E uma ferramenta faz sentido quando sabemos para que ela serve.
3.8.2 — Exemplo 1: o guarda-chuva
Imagine a seguinte situação:
- Se estiver chovendo, vou levar um guarda-chuva.
- Está chovendo.
- Portanto, vou levar um guarda-chuva.
Parece bastante simples, não é?
Podemos representar:
p → q
p
∴ q
Onde:
p = Está chovendo.
q = Vou levar um guarda-chuva.
A lógica permite identificar a estrutura do raciocínio.
Se p → q e temos p, podemos concluir q.
Esse tipo de raciocínio aparece o tempo todo em nossa vida. Mas vamos a um exemplo ainda mais próximo do ambiente escolar.
3.8.3 — Exemplo 2: acesso ao laboratório
Imagine que uma instituição estabeleça a seguinte regra:
Se o estudante estiver matriculado na disciplina, poderá utilizar o laboratório.
Agora sabemos:
- João está matriculado na disciplina.
- Podemos concluir:
- João poderá utilizar o laboratório.
Temos novamente:
p → q
p
∴ q
Aqui:
p = João está matriculado.
q = João pode utilizar o laboratório.
A lógica nos ajuda a perceber que a conclusão está relacionada às premissas por uma determinada estrutura.
3.8.4 — Exemplo 3: lógica na tecnologia
Agora pense em uma situação tecnológica:
Se o computador estiver conectado à internet, poderá acessar o sistema.
Sabemos:
- O computador está conectado à internet.
- Então podemos concluir:
- O computador poderá acessar o sistema.
- Então podemos concluir:
Novamente:
p → q
p
∴ q
A lógica aparece em muitos sistemas tecnológicos porque computadores precisam trabalhar com condições e decisões.
3.8.5 — E se o raciocínio parecer correto, mas não for?
Considere:
- Se estudo, então aprendo.
- Aprendi.
- Portanto, estudei.
À primeira vista, esse raciocínio pode parecer correto.
Mas pense um pouco.
É possível aprender sem ter estudado?
Sim.
Uma pessoa pode aprender por uma aula, por uma conversa, por uma experiência ou por outras formas.
Então temos:
p → q
q
∴ p
O problema está aqui:
Saber que q é verdadeiro não garante que p também seja verdadeiro.
3.8.6 — É aqui que entra a tabela da verdade
Agora podemos responder à pergunta inicial.
Para que serve a tabela da verdade?
Ela permite analisar todas as possibilidades de valores de verdade e verificar se existe alguma situação em que:
as premissas são verdadeiras
e
a conclusão é falsa.
Se encontrarmos essa situação, sabemos que o argumento é inválido.
3.8.7 — Por que não confiar apenas na nossa intuição?
Imagine que alguém diga:
- “Se o alarme está ligado, então há energia.”
E depois:
- “Há energia.”
A pessoa conclui:
- “Logo, o alarme está ligado.”
Parece razoável?
Não necessariamente.
- Pode haver energia mesmo que o alarme esteja desligado.
- Portanto, a conclusão não é garantida pelas informações apresentadas.
Esse é exatamente o tipo de situação que a análise lógica nos ajuda a identificar.